"I ME MINE"
29-11-2009 16:56
Como diria a Mafalda de Quino, o mundo está doente. Vivemos uma crise de percepção. Fragmentos de uma realidade última, somos dotados de opinião. Opiniões que muitas vezes não são baseadas na experiência direta, mas carregam o rótulo de verdades e encobrem nossa visão com julgamentos. Divididos entre o que é e o que deveria ser, nos separamos de nós mesmos e do Universo. Ignoramos nossa sombra e bloqueamos nossa evolução. E passamos a não aceitar a realidade como ela é. E alimentamos desejos, apegados a um mundo transitório que oscila entre o prazer e a dor. Por Carolina Cruz silveiracarol@gmail.com
Nos confundimos com o corpo físico, nos confundimos com a mente, nos confundimos com os objetos externos. Não sabemos quem somos! Trocamos nossa espontaneidade por condicionamentos. Reagimos às experiências de forma binária e dualista. Deixamos de ser guerreiros genuínos para nos tornarmos uma massa amorfa que se esforça para seguir caminhos pré-estabelecidos. E claro, não somos felizes com esse sentimento de incompletude, aprisionados à máscaras e consumidos pela vida artificial. A felicidade é tomada como euforia, uma busca constante fora de nós mesmos.
E amamos por quê e para quê? Não somos como as árvores que florescem para todos. E se o próprio amor está acorrentado, o que nos libertará? E se o amor já não exala compaixão, o que irá nos unir? E se a minha felicidade não é a sua felicidade, o que há para ser compartilhado? Somos ilhas... banhadas pelo mesmo oceano.
Navegar é preciso. Simplesmente fluir com a ordem natural das coisas. Nos redescobrir como seres espirituais em evolução. Redescobrir o universo como uma teia inseparável de relações. Harmonizar os sistemas e coordenar as partes. Todos os problemas do mundo, sejam sócio-econômicos, políticos, ambientais, pessoais, não são fatores isolados, mas derivam da mesma causa: o ego-separatista. I me mine. E ignorar essa causa é perpetuar no Samsara, ser mecanicista como um pêndulo, permanecer ignorante quanto à nossa verdadeira natureza divina e transcendental. 
By Luke Brown
———
Voltar